Reprogramação de Opel Combo 1.7 DTI – Delco DDCR

Reprogramação de Opel Combo 1.7 DTI – Delco DDCR

Reprogramação de ECU´s

reprogramação de centralinasA reprogramação de Opel Combo 1.7 DTi foi um “desafios” lançados por um dos utilizadores da página. Estes motores estão presentes nas diferentes plataformas da Opel, como o Corsa e o Astra, e são equipado por unidades Delphi/Delco. Habitualmente este tipo de viaturas são alvo de pequenas modificações, como remoção de sistemas anti-poluição, mas desta vez o desafio era um incremento de potência bem calculado e a cereja em cima do bolo era a implementação de um corte de rotação “lusomundo”. (a.k.a pipocas).

 

Estes motores 1.7 DTI são de origem nipónica, da famosa Isuzu, e contam com um sistema de injeção VP, um turbo sem geometria variável Mitsubishi e uns estonteantes 70 cavalos. O binário é também ele agressivo, com uns expressivos 165 nm, pelo que a expectativa era elevada. 

reprogramação de centralinas

Leitura da unidade

A leitura da unidade foi feita utilizando o MPPS, logo pela via OBD2, o qual faz uma leitura completa da unidade em poucos minutos. Nestas unidades, tais como em muitas outras, é necessário garantir que a fonte de tensão (bateria) está em condições, caso contrário poderemos encontrar uma unidade morta, em menos de nada.

O ficheiro resultante da nossa leitura está aqui: Opel Combo 1.7 DTI

As informações acerca deste tipo de unidades são escassas pelo que a expectativa de encontrar um damos ou um mappack era reduzida, logo a solução passou pela descoberta, “à lá pate”, dos respectivos mapas.

reprogramação de centralinas
Drivers wish – Um dos mapas fundamentais para o aumento de potência.

 

O mapa do pedal de acelerador foi um dos primeiros a ser testado, na expectativa de perceber quais as unidades e factores envolvidos na programação, mas desde logo apareceram problemas, com a unidade a “rejeitar” por completo o ficheiro alterado, recusando-se a pegar a trabalhar!!! Bem, como manda a “lei” carregou-se o ficheiro original da unidade e, sem qualquer problema, o carro funcionou como devia ser, despistando desde logo a capacidade de escrita do ficheiro. Após alguns testes e experiências descobriu-se o problema….: CHECKSUM!!!

Pois é, fomos traídos pelo checksum, que estava mal calculado. O responsável pelo cálculo do checksum foi o software Checksum Corrector, o qual se encontra disponível para download na secção de software. Em boa verdade foi a primeira vez que este software falhou comigo, pelo que não deixarei de o recomendar, ressalvando que NÃO FUNCIONA em unidades Delco, pelo que, fica o aviso.

reprogramação de centralinas
Checksum Corrector – Uma aplicação gratuita para o cálculo do checksum, especialmente útil em unidades mais antigas.

No meio destes testes, para despiste do problema, descobrimos também que o “MPPS V13”, portanto a versão clonada do MPPS, também corrige de forma errada este checksum, sendo que o único software que fez o cálculo de forma correcta foi o ECM Titanium. É importante notar que o MPPS Original ou a versão original do WinOls trata deste checksum sem qualquer problema.

É importante, mais uma vez, chamar à atenção para o facto destas unidades, com variações de tensão, terem o hábito de perder a codificação de variante, pelo que é necessário algum cuidado na escrita do ficheiro, garantindo tensão constante à bateria/unidade.

Mapeamento da unidade

O mapeamento da unidade consistiu na alteração de simples mapas, não sendo necessário mais do que 4 a 5 mapas para atingir o objectivo pretendido, incluindo as pipocas! 🙂

reprogramação de centralinas
WinOLS – Mappack para Delco Y17DT

Para quem quiser dar uma vista de olhos, segue a listagem dos respectivos mapas:

Endereço Hexdump Tamanho
$36736 Specific air mass flow quantity 25×16
$3607E Specific mass air flow quantity 28×18
$3968E Torque limiter 28×1
$3961C Torque limiter 28×1
$39546 Torque limiter 28×1
$3B522 Smoke limiter 28×19
$3B9A2 Smoke limiter part load 28×15
$3E486 Injection limiter part load 29×21
$3F224 Boost pressure map 26×21
$3F6C8 Boost limiter 26×21
$3AEEE Drivers wish 28×17

Um dica, que poderá ser útil é que, ao contrário das unidades Bosch, os eixos nesta unidade encontram-se com a ordem inversa, isto é, o eixo mais próximo do mapa é o eixo das linhas e o eixo mais afastado do mapa, o eixo das colunas.

Resultado final
reprogranação de centralinas
Teste de potência – Representação gráfica do aumento de potência estimado. Pelo cariz educativo desta reprogramação não foram executados quaisquer testes de potência.

 

O teste em estrada revelou-se satisfatório, com um incremento, deste cedo, do binário disponível. A potência, superior em toda a faixa de rotação, especialmente acima das 4000 rotações, transformou este carro de trabalho. Com o aumento do débito, e pelo facto da regulação da pressão de turbo ser mecânica, ficou algum fumo visível, pelo que o próximo “stage” será o aumento da pressão de sobrealimentação.

Qualquer dúvida, comentem…

Onde está a porta OBD ?!

Onde está a porta OBD ?!

Artigos Técnicos
 
Motor Toyota, originalmente com sistema EFI
Toyota 4A-GE com dois carburadores Weber
Um motor de combustão interna que funcione sobre o ciclo Otto (vulgo…motor a gasolina) necessita de duas coisas muito simples para funcionar, uma mistura (ar/combustível) e de uma fonte de ignição (faísca produzida pelas velas), apenas temos que garantir que isto acontece no tempo certo. A produção de potência num motor do ciclo Otto está directamente ligada à quantidade de ar que este consegue comprimir, e por isso as alterações feitas num motor, que resultam em aumentos expressivos de potência, vão sempre de encontro a um aumento da quantidade de ar nos cilindros. Melhoramentos no sistema de admissão de ar, alteração da duração e perfil de abertura das válvulas, aumento da saída de gases de escape, entre muitas outras alterações são o exemplo da procura de um maior enchimento dos cilindros, o que em termos mais técnicos se pode traduzir por redução das perdas por bombagem. E como a quantidade de ar que um motor aspira depende de imensos factores, o combustível que este queima também tem de ser ajustado por forma a garantir um equilíbrio constante nesta relação.
 
Petrol Engine
 
 
Utilizando como referência a mistura ideal (estequiométrica) para a gasolina (14,7:1) podemos observar o quanto um desvio sobre a mesma produz efeitos sobre a potência ou o consumo de combustível. Misturas demasiado pobres (>14,7) produzem menor potência e melhores consumos. Misturas ricas (< 14,7) produzem maior potência. Mas, como em tudo na vida, há que existir equilíbrio e da mesma forma que uma mistura extremamente pobre não resulta numa redução de consumos, uma mistura extremamente rica não irá necessariamente produzir mais potência.
 
Mesmo sem saber qual a mistura que na realidade está a ser queimada, e utilizando um banco de potência à moda antiga (a recta mais próxima da oficina) era possível afinar os nossos motores por forma a garantir que todo o combustível era usado para produzir potência. Afinações no débito, troca de tubos de emulsão, modificação dos “venturis”, troca de “gicleurs”, modificação do avanço de ignição, mudança de velas, afinação de folgas de velas, de válvulas, enfim… eram dias, semanas, meses de afinações, tudo a bem do último cavalo perdido.
 
Hoje em dia, já temos a ficha “obd”, onde o nerd de óculos e com os dedos limpinhos liga a ficha e pufff… temos o assunto resolvido, aumentos de potência instantâneos, ao ritmo dos tempos modernos onde de tudo se consome em forma de comprimido.
 
Será assim?! Mas desde quando é que um reprogramador de centralinas deixou de ser um mecânico? 
 
Não, não é assim, e por isso um reprogramador de centralinas é alguém que conhece bem o funcionamento de um motor e da sua gestão electrónica. (ou devia ser… 😉 )
 
A gestão electrónica
 
A gestão electrónica não é propriamente uma novidade, já existia quando eu nasci e já com níveis de complexidade bastante elevados. A “electrónica” veio substituir a chave de fendas e o martelo, trouxe rendimento e assertividade aos sistemas mecânicos. Os antigos sistemas de injecção e carburação estão para a electrónica como uma máquina de 
escrever para um computador, no entanto, quem bate as teclas continua a ser o mesmo.
 
ECU
Centralina Bosch DME7 (ME7) BMW
A gestão electrónica traz consigo uma série de funcionalidades, entre as mais importantes, a capacidade de controlar a injecção de combustível e a ignição da mistura. Esta gestão é baseada em tabelas e/ou equações e dependem da informação obtida do motor, como p.ex. a velocidade do motor, a temperatura, a posição do pedal do acelerador, a quantidade de ar admitida, entre muitos outros.
 
Sabendo que uma centralina actua em função da informação obtida pelos sensores é fácil de perceber que se adulterarmos a informação que a mesma recebe, o resultado também será diferente, e foi exactamente por ai que começou o “chip tuning”, com alterações nas leituras, utilizando as famosas “boxs” de potência, que inicialmente se resumiam a um par de resistências bem embaladas e ligadas aos sensores certos.






O funcionamento genérico de uma centralina está representado no seguinte esquema:
 
 
Os sensores não são mais do que elementos com a capacidade de transformar eventos mecânicos/térmicos em sinais eléctricos, sinais esses que são gerados de diversas formas, pelo que necessitam de ser interpretados e transformados antes de serem enviados para processamento. Os dados recebidos são então utilizados para consultar as diversas cartografias existentes na memória de leitura e dessa forma processar um resultado para os diversos actuadores. A reprogramação da centralina acontece exactamente nesta memória de leitura, que em muitos casos está disponível para leitura e escrita pela porta OBD (Porta de diagnóstico), alterando os valores das respectivas cartografias e com isso alterando a resposta que a ECU dá aos diversos actuadores.


E é exactamente nesta fase que desligamos o modo “informático” e ligamos o modo “mecânico” pois é necessário conhecimento profundo sobre a mecânica para saber onde, como e de que forma vamos alterar os valores destas cartografias. É nesta fase também que ter o “velhinho mecânico da chave de fendas” ao lado pode ajudar a aprender algumas coisas sobre como extrair mais potência de um motor.


Um bom mecânico pode não saber distinguir um bit de um byte, mas saberá certamente lhe dizer que 40º de ignição, a acelerar a fundo, com uma mistura de 14,7:1 é uma óptima receita para dividir um motor em mais peças do que aquelas que vinham de fábrica. Esta experiência e sabedoria é bem mais valiosa do que acreditar que os fabricantes “dão sempre uma margem de segurança” e portanto adicionamos 10% aqui e 10% ali e vamos ver como fica é uma boa forma de trabalhar. Um bom reprogramador é aquele que sabe usar a chave de fendas também.


Posto isto, vamos passar ao fundamental desta arte…


Hardware & Software
As reprogramações de centralinas podem ser divididas em três partes:

  • Leitura dos dados da ECU
  • Edição de dados
  • Carregamento dos novos dados na ECU

A leitura dos dados, assim como o carregamento, podem ser feitas de diversas formas, entre elas as mais conhecidas são:

  • Remoção física da ROM/EPROM/EEPROM e respectiva leitura num leitor/gravador de chips.
  • Leitura da ROM/EPROM/EEPROM através da porta de diagnóstico OBD, utilizando a linha K ou rede CAN.
  • Leitura da ROM/EPROM/EEPROM através de portas de programação (BDM, JTAG, ICE, etc…)

 

Alientech
Alientech Kess V2 – Leitura e escrita via OBDII



Para a edição dos dados pode ser usado qualquer editor hexadecimal, no entanto será aconselhado utilizar editores hexadecimais específicos para este tipo de ficheiros, entre eles:

 

Winols 2.24
WinOLS – Software de edição



Para escrever os dados é necessário utilizar as mesmas ferramentas da leitura, não esquecendo que os dados carregados têm que necessariamente ter o checksum feito. Este checksum pode ser efectuado de várias formas, entre elas:

  • Efectuar o checksum atraves dos software de edição hexadecimal.
  • Utilizar softwares específicos para a correção de checksums.
  • Corrigir os checksums manualmente.
  • Utilizar as capacidade de correção das ferramentas de leitura/escrita.

 

Alientech K-Tag – Leitura e escrita via BDM/JTAG

Na secção de recursos e base de dados tem todo o material necessário para começar a explorar estes ficheiros.


Bem vindo ao mundo das reprogramações!