A reprogramação de centralinas é um assunto que dá sempre pano para mangas, seja pelos resultados alcançados, pelas diferenças entre os diferentes “reprogramadores”, seja pelos mitos que acompanham esta área ou simplesmente pelo desconhecimento em geral acerca deste assunto. Hoje ao “surfar” pela web deparei-me com este artigo antigo que esclarece o que é uma reprogramação:

“Reprogramação, um risco para o seu automóvel?” – www.motorespt.com

Está tudo muito bem descrito, e não fosse o motorespt.com um site sobre noticias automóvel, eu iria dizer que estão a tentar vender reprogramações, senão vejamos:

A reprogramação de uma centralina de um carro não é nada mais nada menos do que isso mesmo, optimizar os recursos disponíveis de um motor de um carro sem por em causa a fiabilidade do mesmo.

E eu sou o pai natal! 

A fiabilidade de um componente mecânico, como por exemplo, um turbo, uma bomba, um injector, etc. depende exclusivamente do trabalho a que este é sujeito. Será de esperar que estes componentes, quando sujeitos a trabalhar a um nível superior do que aquele inicialmente previsto, sejam sujeitos a um maior desgaste, logo a probabilidade de falha por fadiga aumenta, e por isso que não existam dúvidas de que uma viatura reprogramada está mais propensa a avarias mecânicas.

Para grande parte dos condutores este serviço traz algumas desvantagens, isto porque a curto prazo poderá implicar a perda de garantia de fábrica do automóvel e a médio-longo prazo poderá por em causa fiabilidade do motor ou provocar o desgaste prematuro dos materiais.

Aqui está outra das coisas que eu adoro..chama-se coerência…. ou falta dela.

Obviamente que este tipo de alterações põem em causa a mecânica, estamos a falar de aumentos de potência e binário, que só por si implicam maior esforço em todos os componentes do grupo propulsor e respectiva transmissão. 

Costuma-se dizer que uma mentira contada muitas vezes acaba por ser verdade, e basta pesquisar pelas diversas empresas de reprogramação de centralinas ou por sites relacionados que o panorama é este:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quais os riscos de uma reprogramação ?
Para o motor:

Sendo o motor o alvo principal da reprogramação será de esperar que existam riscos acrescidos para o mesmo. A lista que se segue foca os componentes principais afectados pela reprogramação da centralina.

  • Sistema de refrigeração: O aumento de potência, num motor de combustão interna acontece devido à maior transformação de energia química em mecânica, processo esse que envolve produção de calor. Este aumento de temperatura irá obrigar a que o sistema de refrigeração trabalhe mais, para dissipar o calor gerado, sendo que em alguns casos o mesmo revela-se insuficiente, sendo necessário alterar o sistema para que não exista o sobreaquecimento do motor.
  • Sistema de admissão: Em motores sobrealimentados a maior exigência de pressão leva ao aumento da temperatura do ar que é admitido, exigindo a adopção de radiadores de ar (intercooler) com maior capacidade, por forma a garantir que o ar que é admitido se mantém a temperaturas baixas.
  • Sistema de escape: O sistema de escape é composto por diversos componentes, mediante à norma anti-poluição a cumprir, que estão sujeitos a um trabalho suplementar no caso das reprogramações. Misturas mais ricas vão influenciar o trabalho dos catalisadores e filtros de partículas, se existirem, retirando-lhes vida útil. Dependendo da mistura utilizada, uma viatura equipada com filtro de partículas poderá ver o filtro obstruído em muito pouco tempo/quilómetros.
  • Sistema de injecção: Dependendo do tipo de sistema de injecção os riscos para os mesmos são diversos. A título de exemplo, em sistemas a diesel Common Rail ou em sistemas de injecção directa a gasolina é de esperar que a respectiva bomba de alta pressão sofra um maior desgaste. Um dos parâmetros comuns nas reprogramações de centralinas é o aumento da pressão de injecção, originando um maior esforço nestes componentes, pelo que será de esperar que os mesmos reduzam a sua vida útil.
  • Sistema de sobrealimentação: O sistema de sobrealimentação, tradicionalmente feito com recurso a turbo-compressores, é dos principais visados na reprogramação de centralinas. O aumento da pressão de sobrealimentação obriga a que o turbo-compressor gire com maior velocidade, aumentando a sua temperatura e originando um maior desgaste no mesmo. Os turbos não são propriamente componentes fiáveis, especialmente quando sujeitos a maiores pressões do que aquelas para que foram concebidos e por isso será de esperar que a revisão ao turbo, ou mesmo a sua substituição se faça mais cedo.
Para a transmissão:

É o sistema de transmissão que vai receber, em primeira mão, o maior binário produzido pelo motor, e para o gerir e transformar será imposto um maior esforço a todos os componentes da mesma.

  • Embraiagem: A embraiagem serve de elemento de ligação entre o motor e a caixa de velocidades e é ela que vai ter que suportar o binário gerado pelo motor. Um aumento desse mesmo binário impõe à embraiagem um trabalho acrescido, que levará ao seu desgaste prematuro.
  • Volante de motor: Actualmente um dos problemas mais comuns nos sistemas de transmissão é o volante de motor amortecido, vulgarmente conhecido como “bimassa”, que terá uma tarefa acrescida quando tiver que digerir o binário extra imposto pelo motor. O volante bimassa e a respectiva embraiagem são dois componentes que terão a sua vida útil encurtada devido à reprogramação da centralina.
Conclusão

Agora que já conhecem os riscos inerentes à reprogramação de uma centralina será importante salientar que cada caso é um caso e que existem de facto motores, e respectivos sistemas, com uma capacidade adicional para suportar o aumento de potência gerado pela reprogramação. Muitas vezes estes são modelos ou versões inferiores em termos de gama, os quais partilham os mesmos componentes e os mesmos atributos mecânicos de outras versões, e nestes casos poderá se afirmar que a fiabilidade não será posta em causa.

É também importante saber que, mais do que os valores máximos propostos pelos comerciantes dos serviços de reprogramações, a forma como se atingem estes valores e o cuidado que se tem com a distribuição de binário são importantíssimos para a garantia da longevidade da mecânica. A reprogramação não é de facto inerte no que diz respeito à fiabilidade, mas, se feita com profissionalismo e conhecimento, não irá comprometer de forma séria ou notória a fiabilidade do motor, permitindo ao utilizador final desfrutar de uma maior disponibilidade geral de potência e binário.

Não faltaram certamente casos de sucesso, pessoas com os carros reprogramados à milhares de quilómetros sem qualquer problema a apontar, mas, como em tudo, também existem aqueles que, devido à reprogramação, viram o seu motor danificado, e nem os casos de sucesso são a regra, nem tão pouco os insucessos a excepção.

Tem uma viatura com a centralina reprogramada? Conte-nos a sua experiência….

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HugoMiguel CunhaJoão Valente Recent comment authors
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João Valente
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João Valente

Excelente artigo, fiquei esclarecido! Obrigado.

Hugo
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Hugo

Muito obrigado pela ajuda.