Algo que já estava a ser cozinhado há cerca de um ano finalmente foi lançado no mercado. Há cerca de um ano, os rumores sobre a possibilidade de reprogramação das centralinas Denso-Toyota surgiram com o aparecimento da chamada VF2 Flasher. Esta máquina propunha-se a ler e escrever e prometia já um futuro suporte para escrita via OBDII.
 
A verdade e que embora tudo fosse verdade o mercado não reagiu muito a esta máquina, talvez pelo preço (+4500€) ou pelo simples facto de inicialmente se tratar de uma máquina tipo “slave”, em que não nos era dada a possibilidade de editar os ficheiros.
VF2_Protocol_NBD76F
VF2 Flasher

Neste caso em concreto estamos a falar de um pequeno hardware que permite leitura e escrita via JTAG, escrita via OBDII e correção de todos os checksums.No entanto esta máquina fez despertar o mundo das reprogramações e não tardaram em aparecer soluções idênticas, e talvez mais apelativas para o consumidor final, tais como o Toyota Lexus ECU-Flasher. 

 

 

Este pequeno hardware tem um custo bastante inferior (Aprox. 1000€) e ao contrário das ferramentas comuns não tem qualquer subscrição, anuidade ou prazo de validade. Sendo uma ferramenta construída “em casa” não terá também a qualidade de construção e o suporte que nos é garantido nas ferramentas mais comuns. (Kess, CMD, Galletto, Magic, etc)
 
Já mais próximo do final desta ano surgiram as soluções “toyota” em diversos fabricantes, entre eles:
 
Kess V2 – Suporte para Toyota Via OBDII (Virtual Read)
 
K-Tag – Suporte para Toyota Via JTAG
 
MagPRO 2 X17 – Suporte para Toyota Via OBDII (Virtual Read)
 
Galletto – Suporte para Toyotas anunciado para inicio de 2016
 
 

Leitura da Hexdump

 
Toyota Hilux 3.0 D4D ECU – Leitura e escrita via Toyota ECU Flasher

 A primeira experiência com o Toyota ECU Flasher teve um sabor algo agridoce, se por um lado o mesmo funcionou perfeitamente, por outro, foi necessária alguma mão de obra, como refazer as ligações da porta de ligação JTAG e o próprio interface foi revisto. Após estes pequenos problemas o mesmo mostrou-se fantástico, não precisando mais do que um par de minutos para ler e escrever os dados.
O resultado da leitura (hexdump) está disponível aqui: Hilux 3.0D4D
 
 

Análise da hexdump

 
À primeira vista este tipo de hexdump parece diferente de tudo o que normalmente vemos, sejam Denso, Delphi, Siemens, Bosch. Os mapas parecem não acertar a 8, 16 ou 32 bits, nem trocando a origanização Lo/Hi para Hi/Lo…
 
Na realidade grande parte dos mapas estão a 16 bits e alguns a 8 bits e organizados em Lo/Hi. 
 
No endereço 11862 encontramos isto:
 
Mapa de duração da injeção
Sabendo que a Hilux 3.0D4D vem equipada com um motor commom-rail, não há dúvidas que este é um dos mapas de duração da injeção. 
 
Analisando de perto a hexdump encontramos os cabeçalhos e o tamanho do mapa:
 
Mapa de duração: Tamanho 16×29
 
Se organizarmos a hexdump com 16 colunas o aspecto final é este:
 
 
Claramente não fica correta e isto acontece porque o formato utilizado pela Toyota-Denso inclui aquilo que chamamos de “mapas verticais”, isto é, ao contrário do formato tradicional onde os cabeçalhos estavam fora do mapa, fosse no inicio, no fim ou mesmo perdidos ao longo da hexdump, nestas hexdumps um dos cabeçalhos está sempre dentro do mapa.
 
Hexdump Toyota – seleção de colunas/tamanho do mapa
Esta nova organização de ficheiros levou a que a EVC criasse um novo suporte para mapas Denso-Toyota:


Site da EVC:
New New map type: Denso vertical (with skip bytes) 3.42 21.10.2015
 
Este novo suporte permite selecionar os mapas, exactamente da mesma forma que estão representados na imagem acima.
 
Para quem usa versões “antigas” do winOLS, tem na mesma a possibilidade de fazer esta seleção, utilizando a funcionalidade “skip bytes”.

Opção “skip bytes” WinOLS

A forma como isto funciona é simples. Quando um cabeçalho é selecionado na janela de propriedades o que WinOLS faz é selecionar os valores, seguidos, da hexdump a partir do endereço que foi especificado e do tipo de valores (8,16,32…). A função skip bits permite que sejam ignorados os bytes que nós quisermos nessa seleção, isto é, em vez da seleção ser seguida ele vai saltar o número de bytes definidos e utilizar o valor seguinte, saltando novamente esses mesmos bytes e utilizando o valor seguinte e assim sucessivamente.


Exemplo: (mapa a 16 bits)

Neste mapa o cabeçalho está seleccionado desta forma:



Sendo que o endereço 12068 corresponde ao primeiro valor do mapa/cabeçalho (Zero no caso do exemplo). Olhando novamente para a imagem acima do mapa, a amarelo está representado o meu cabeçalho e a vermelho o cabeçalho escolhido pelo WinOLS.


Sabendo que o mapa está representado a 16bits, temos então 2 bytes por cada valor representado, logo que pedirmos ao software para avançar 2 bytes, o resultado é este:

A verde têm os valores que foram “ignorados”, e tal como esperado, o WinOLS saltou uma casa por valor, pois o pedido foi de 2 bytes=16 bits.


Assim sendo, e tendo em conta que o mapa tem 11 colunas de informação e 1 coluna de “cabeçalho”, então teremos que saltar 11 colunas por cada valor do cabeçalho.


11 valores x 16 bits cada = 176 bits o que dividindo por 8 nós dá 22 bytes. 


Utilizando o valor 22 no campo skip bytes, o resultado é este:



Para evitar as contas é relativamente simples decorar que se estivermos num mapa a 16 bit, utilizamos o dobro número de colunas, se estivermos num mapa a 8 bits, basta utilizar o mesmo numero de que o de colunas.


Pelo facto de termos os cabeçalhos dentro dos mapas, quando vistos em 2d, os mapas ganham um formato diferente, daí a estranheza ao olhar a primeira vez para estes mapas.

O próximo passo é a analise da hexdump para identificação dos mapas. Embora já se conheçam alguns, pelo menos os mais evidentes, para já a informação é escassa e muito do que se descobre é por tentativa e erro, pelo que deixarei a identificação de mapas para a segunda parte deste artigo.


Links úteis:



Toyota ECU Flasher – http://ecutools.eu/chip-tuning/toyota-lexus-flasher/


VF2 – https://www.facebook.com/VF2flasher


Galletto – http://www.fgtechnology.it/


Kess & Ktag – http://www.alientech-to.it/index.php/en/


Se descobrirem algo nesta hexdump…informem 🙂


Até já!




 
 
Original chip tuning tools

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Pedro Prata
Pedro Prata
6 anos atrás

Obrigado pela partilha. Agora existe um software para lidar com este tipo de ficheiros chamado de bitedit!

Pedro Prata
Pedro Prata
6 anos atrás
Reply to  Miguel Cunha

De nada 🙂

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[…] meu último artigo (Link) falei sobre esta máquina e apercebi-me que poderei ter dado a entender que esta máquina não […]